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"Idoso" é palavra de fila de banco e de supermercado; "velho", ao contrário, pertence ao universo da poesia
DEI-ME CONTA DE que estava velho cerca de 25 anos atrás. Já contei o ocorrido várias vezes, mas vou contá-lo novamente. Era uma tarde em São Paulo. Tomei um metrô. Estava cheio. Segurei-me num balaústre sem problemas. Eu não tinha dificuldades de locomoção. Comecei a fazer algo que me dá prazer: ler o rosto das pessoas.
Os rostos são objetos oníricos: fazem sonhar. Muitas crônicas já foram escritas provocadas por um rosto -até o mesmo o nosso- refletido no espelho. Estava eu entregue a esse exercício literário quando, ao passar de um livro para outro, isto é, de um rosto para outro, defrontei-me com uma jovem assentada que estava fazendo comigo aquilo que eu estava fazendo com os outros. Ela me olhava com um rosto calmo e não desviou o olhar quando os seus olhos se encontraram com os meus. Prova de que ela me achava bonito. Sorri para ela, ela sorriu para mim... Logo o sonho sugeriu uma crônica: "Professor da Unicamp se encontra, num vagão de metrô, com uma jovem que seria o amor de sua vida..."
Foi então que ela me fez um gesto amoroso: ela se levantou e me ofereceu o seu lugar... Maldita delicadeza! O seu gesto amoroso me humilhou e perfurou o meu coração... E eu não tive alternativas. Como rejeitar gesto tão delicado! Remoendo-me de raiva e sorrindo, assentei-me no lugar que ela deixara para mim. Sim, sim, ela me achara bonito. Tão bonito quanto o seu avô...
Aconteceu faz mais ou menos um mês. Era a festa de aniversário de minha nora. Muitos amigos, casais jovens, segundo minha maneira de avaliar a idade. Eu estava assentado numa cadeira num jardim observando de longe. Nesse momento chegou um jovem casal amigo. Quando a mulher jovem e bonita me viu, veio em minha direção para me cumprimentar. Fiz um gesto de levantar-me. Mas ela, delicadíssima, me disse: "Não, fique assentadinho aí..." Se ela me tivesse dito simplesmente "Não é preciso levantar", eu não teria me perturbado.
Mas o fio da navalha estava precisamente na palavra "assentadinho". Se eu fosse moço, ela não teria dito "assentadinho". Foi justamente essa palavra que me obrigou a levantar para provar que eu era ainda capaz de levantar-me e assentar-me. Fiquei com dó dela porque eu, no meio de uma risada, disse-lhe que ela acabava de dar-me uma punhalada...
Contei esse acontecido para uma amiga, mais ou menos da minha idade. E ela me disse: "Estou só esperando que alguém venha até mim e, com a mão em concha, bata na minha bochecha, dizendo: "Mas que bonitinha..." Acho que vou lhe dar um murro no nariz..."
Vem depois as grosserias a que nós, os velhos, somos submetidos nas salas de espera dos aeroportos. Pra começar, não entendo por que "velho" é politicamente incorreto. "Idoso" é palavra de fila de banco e de fila de supermercado; "velho", ao contrário, pertence ao universo da poesia. Já imaginaram se o Hemingway tivesse dado ao seu livro clássico o nome de "O idoso e o mar"? Já imaginaram um casal de cabelos brancos, o marido chamando a mulher de "minha idosa querida"?
Os alto-falantes nos aeroportos convocam as crianças, as gestantes, as pessoas com dificuldades de locomoção e a "melhor idade"... Alguém acredita nisso? Os velhos não acreditam. Então essa expressão "melhor idade" só pode ser gozação.
RUBEM ALVES
Rubem Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp.

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21:25:24
Amor e sexo, é preciso aprender?
Alfonso Aguiló
Autodomínio sobre a imaginação e os desejos
O amor é a realização mais completa das possibilidades do ser humano. É o mais íntimo e o maior, é onde ele encontra a plenitude do seu ser, a única coisa que pode absorvê-lo inteiramente.
O prazer que deriva da sua expressão no amor conjugal é talvez o mais intenso dos prazeres corporais e também talvez o que mais absorve. O entusiasmo que produz uma paixão pura e sincera retira o homem ou a mulher de si mesmo para se entregar e viver para o outro: é o maior entusiasmo que a maioria dos seres humana tem na sua vida.
Quando o prazer e o amor se unem em entrega mútua, então é possível alcançar um alto grau de felicidade e prazer. Em contrapartida - como escreveu Mikel Gotzon Santamaria - quando se prima pela busca do simples prazer físico, esse prazer tende a converter-se em algo momentâneo e fugidio, que deixa um rasto de insatisfação. Porque a satisfação sexual é na realidade apenas uma parte, e talvez a mais pequena, da alegria da entrega sexual de alma e corpo própria da entrega total do amor conjugal.
- Mas, nem sempre é fácil distinguir o que é carinho do que é fome de prazer.
Às vezes é muito claro. Outras, nem tanto. Em qualquer caso, na medida em que se reduza a simples fome de prazer, está-se a usar a outra pessoa. E isso não pode ser bom para nenhum dos dois.
Quando se usa a outra pessoa, não a amamos, nem sequer a respeitamos, porque se utiliza e se rebaixa a sua intimidade pessoal.
O terreno sexual oferece, mais do que outros, ocasiões para se servir das pessoas como se fossem um objeto, ainda que seja inconscientemente. A dimensão sexual do amor faz com que este possa inclinar-se com certa facilidade para a busca do prazer em si mesmo, uma utilização que sempre rebaixa a pessoa, pois afeta a sua mais profunda intimidade.
Sendo o sexo expressão da nossa capacidade de amar, toda a referência sexual chega até ao mais fundo, ao núcleo mais íntimo, e implica a totalidade da pessoa. E, precisamente por possuir tão grande valor e dignidade, a sua corrupção é particularmente corrosiva.
Cada um faz do seu amor o que faz da sua sexualidade.
Se você leu, gostou e quer saber mais...vá até o site Portal da Família

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12:46:15

Aquilo que na vida tem sentido, mesmo sendo qualquer coisa de mínimo, prima sobre algo de grande, porém isento de sentido.
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Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos.
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Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é.
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Todos nós nascemos originais e morremos cópias.
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Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar
a um melhor conhecimento de nós mesmos.
Carl Gustav Jung
http://www.pensador.info/colecao/GuidaLinhares/
Individuação é um processo de desenvolvimento da totalidade e, portanto, de movimento em direção a uma maior liberdade.
Isto inclui o desenvolvimento do eixo Ego-Self, além da integração de várias partes da psique: Ego, Persona, Sombra, Anima ou Animus e outros Arquétipos inconscientes.
Quando tornam-se individuados, esses Arquétipos expressam-se de maneiras mais sutis e complexas.
Quanto mais conscientes nos tornamos de nós mesmos através do auto conhecimento, tanto mais se reduzirá a camada do inconsciente pessoal que recobre o inconsciente coletivo.
Desta forma, sai emergindo uma consciência livre do mundo mesquinho, suscetível e pessoal do Eu, aberta para a livre participação de um mundo mais amplo de interesses objetivos.
http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=157&sec=53
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Mais sobre este grande Mestre da Psicologia, que deixou um grande legado: o Processo de Individualização - o Conhece-te a ti mesmo terapêutico.
http://www.amigodaalma.com.br/conteudo/artigos/base_jung.htm
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02:14:44

O amor quando acontece...
A autora (*) fala do verdadeiro amor e de como proceder para conviver com ele, sem medos ou amarras
"Ela fez algo que seu pai desaprovara. Arrastada para o penhasco, foi lançada por ele nas águas do mar. As pessoas da região por muitos e muitos anos não pescavam mais lá; diziam que o tal lugar ficou assombrado. Um dia um pescador desinformado lançou sua rede nessas águas escuras e envolveu a Mulher-Esqueleto. Ficou muito feliz, imaginando ter pescado um peixe realmente grande, e mais ainda, em pensar sobre quantas pessoas podiam ser alimentadas por ele. Quanto mais ele puxava mais ela se enrolava em sua linha, pois aquela que estava sendo pescada também lutava para se soltar. Quando se deparou com o que realmente havia fisgado, foi tomado por um grande medo e fugiu desesperado para seu lugar seguro, seu iglu.
Viu-se perseguido por aquela ossada; desviava e corria, mas ela estava sempre em seu encalço. Não percebia que a Mulher-Esqueleto estava presa na rede que ele não conseguia largar. Aliviado por chegar em casa, ao acender as luzes, se deparou com a ossada, joelhos presos na costela, calcanhar sobre a cabeça, um pé por cima do ombro. Tomado de muita ternura, como uma mãe que ajuda um filho, foi desenrolando a linha e desprendendo a ossada. Quanto mais desenrolava mais seu coração batia como um tambor e sentia carinho por aquele ser que um dia foi humano e vivo como ele.
Ele remontou o corpo e, cansado por tal tarefa, dormiu. Enquanto dormia, derramou uma única lágrima, que como um rio, matou a sede de tantos anos da Mulher-Esqueleto. Deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem que dormia, retirou seu coração e começou a cantar. Seus ossos foram revestidos de carne, ela devolveu o coração ao homem e deitou-se ao seu lado. Pela manhã, eles acordaram abraçados e não se separaram mais.”
Este mito do povo Inuit (do norte do Canadá), narrado por Clarissa Pinkola, em seu livro Mulheres que correm com os lobos, retrata os ciclos do amor. Ousamos dizer que o amor é o motor da própria vida e morte. A busca de todo ser vivo é o amor e nos sentimos mortos em vida pela falta dele. Tudo que fazemos e pensamos em sua essência é uma procura de realização (amor próprio) e reconhecimento (amor do outro). Mas como tudo na vida, o amor deve ser aprendido em todos os seus estágios.
Entre as várias fases, está a do amor urgente da criança, que quer tudo agora e do seu jeito; o amor adolescente, que se deslumbra em sexualidade e romantismo na busca de seu par perfeito; o do príncipe (ou princesa) encantado(a), que os retire da masmorra; e o amor adulto, que enfrenta a caveira dentuça e horrorosa. Para atingir o amor maduro é necessário respeitar seu ciclo de vida-morte-vida. Esse ciclo nada tem a ver com a idade do amante, que pode ter 50 anos e não ter passado da idade do amor possessivo e ciumento de uma criança de 5 anos.
Quem de nós se livrou da experiência de estar desprevenido e, de repente, como num passe de mágica, ser fisgado pela linha invisível da atração e acometido daquele frio na barriga tão peculiar? Muitos desistem após a paixão, aos primeiros vislumbres do esqueleto horroroso; a incapacidade de desenrolar a caveira e encarar a Mulher-Esqueleto é o que provoca o fracasso de muitos relacionamentos. Para amar é preciso não apenas ser forte, mas ser ao mesmo tempo sábio.
Em uma parte de nós resiste à idéia de que podemos viver e amar sem que a morte aconteça; mas não existem relacionamentos duradouros que não passem pela morte. Nossas ilusões e projeções têm que morrer para dar lugar verdadeiramente ao conhecimento do outro. As expectativas devem padecer para que possamos estabelecer relações verdadeiras, para que o outro realmente passe a existir em nossas vidas.
Todos desejam uma vida repleta de prazer e realizações, mas a verdadeira conquista tem um preço que por vezes não queremos pagar – enfrentar a realidade e encarar os defeitos e imperfeições que acompanham o pacote. Nós amaríamos mais se ele ou ela fosse assim ou assado, nós amaríamos, mas se ele ou ela não fosse tão isso ou aquilo... Mas essa bagagem vem inteira na mala, o belo e o não belo. Amar é suportar o outro em sua plenitude, é dar apoio, é agüentar. Ao negar o feio do relacionamento, vivemos uma mentira de prazer eterno, a da família Doriana, que nunca aprofunda seus sentimentos ou ficamos de peixe em peixe, trocando nossos parceiros ao primeiro desafio.
Essa é a fase de corrermos com o esqueleto grudado em nossa linha; é o período em que tentamos racionalizar nossos medos, quando dizemos ao mundo que não estamos prontos. Como crianças assustadas, corremos para o lugar seguro que ingenuamente pensamos existir, mas o que tememos é a nossa única fonte de cura, o único caminho para atingirmos nosso objetivo de amor verdadeiro. É preciso ser sereno e forte, sem ter medo de encarar a morte.
O medo é uma desculpa insuficiente para negarmos à vida seu propósito. Se nos rendermos a ele, voltamos ao amor criança ingênuo, mas superficial. Viveremos a colecionar momentos de paixão e continuaremos solitários e famintos de amor verdadeiro, o único capaz de curar nossas feridas e de fazer desabrochar nossas sementes de realização em todos os planos.
É a coragem de desembaraçar os ossos de nosso parceiro com compaixão e ternura, vencendo nossos medos, a entrega de dormir ao seu lado nos tornando frágeis e inocentes. Essa capacidade de gerar o amor está dentro de todos e a sua recompensa é o relacionamento que eleva e lhe faz sentir completo, amparado, forte e fraco. Mas sempre capaz de ir em frente, apesar de todas as dores sofridas, de todos os pecados cometidos, de todas as injustiças e penas que pagamos em nossa vida.
Só esse amor verdadeiro é capaz de gerar corpo e fazer pulsar o coração; apenas esse tipo de amor tem o direito de ser chamado de amor, e esse nunca morre. É como canta Gilberto Gil: “O amor da gente é como um grão, uma semente de ilusão, tem que morrer pra germinar...”
(*) Amélia Kassis é diretora da Companhia Zen – Núcleo de Práticas Orientais.
Fone (11) 5572-0987

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21:29:22
Tão bom quando se pode dizer isto: tenho saúde para dar e vender.
Mas tem gente que leva uma vida saudável, tem bons hábitos alimentares, faz exercícios físicos regularmente, mas mesmo assim não goza de uma boa saúde.
Lanço aqui a pergunta, por que será? O que estaria ainda faltando? Além dos fatores hereditários que muitas vezes influenciam o fator saúde/doença, que outros estariam defasados?
O que você acha?

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00:05:41